quinta-feira, agosto 21, 2008

'-'

Tyler, o chinês do meu, do seu, dos nossos corações (que eu não tenho nenhum link pra indicar =P~) disse que ia divulgar meu blog por conta dos posts sobre o ocorrido na UFBA na última terça-feira. Então, esse post é só para avisar aos que vierem aqui por conta disso:

Teve assembléia hoje. Até onde me consta, pode ou não ainda estar tendo. Não fui, porque os professores do PAF III não liberaram as aulas, e eu estava perdendo aulas demais em função dos piquetes. Por isso, não tenho grandes informações por enquanto.

Ouvi por alto que confirmaram a paralisação das aulas na universidade de hoje até terça, mas ainda não sei se a informação procede. Garanto que até às 19h de hoje eu descubro se amanhã precisarei acordar às 5h da manhã ou não, e aviso por aqui.

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quarta-feira, agosto 20, 2008

Despite all my rage I'm still just a rat in a cage

E mais um dia se passa. Mais um dia de protesto, de manifestação, de passeata, de piquete.

Em assembléia, decidiu-se reivindicar do conselho universitário o mais óbvio, o mais básico, aquilo que já deveria ter sido feito há uns 4 anos: melhorias na infra-estrutura da universidade (como, por exemplo, dar uma podadinha para manter a mata atlântica bem comportada, aumentar os focos de iluminação e reformar escadas e calçadas), a criação de uma guarda universitária e o não-envolvimento da PM nos assuntos UFBAescos.

E então houve o CONSUNI (para os leigos, Conselho Universitário). Onde tudo o que foi dito foi tão óbvio quanto as reivindicações. Foi um dia de muitas reuniões onde tudo o que qualquer um que não gosta de chover no molhado poderia fazer seria bater palmas concordando.

Como era de se esperar, todo o conselho concordou com as reivindicações. Amanhã tem assembléia estudantil DE NOVO. Talvez haja paralisação até terça-feira, que é quando o CONSUNI se reúne novamente. Estou cansada, molhada, fedorenta, faminta e vermelha feito um camarãozinho.

Não quero mais brincar de ser caloura politizada '-'


P.S.: Nosso Magnífico Reitor é o mestre dos magos. Careca, cabeludo, fala fala e não diz nada, some depois que termina de falar e nunca aparece quando a gente precisa dele.

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terça-feira, agosto 19, 2008

"Ela estava numa situação propícia"

Com uma afirmação retumbante e despropositada dessas, de cunho nem um pouco machista, a Reitoria tentou se esquivar da responsabilidade pelo ocorrido de hoje de manhã. Desnecessário dizer que falhou miseravelmente.

Às nove horas da manhã de hoje, na trilha do parque memorial da Mata Atlântica, no campus de Ondina, na UFBA, uma aluna de dança foi estuprada. A menina estava fazendo sua aula de condicionamento físico quando foi abordada por um homem, não identificado, portando uma arma. Durante uma hora e meia, ele fez o que quis.

Essa é a versão oficial que correu os campi da UFBA. Ouvi em outros momentos que eram dois sujeitos, e que foi às onze, ou às dez, ou dez e meia. Não importa. O único fator invariável na equação do "telefone sem fio" foi exatamente o mais preocupante: Uma. Aluna. Foi estuprada. DENTRO DO CAMPUS. EM HORÁRIO DE AULA.

Hoje, me senti meio orgulhosa por fazer parte do corpo discente da UFBA. Foi a manifestação mais pacífica e bem mobilizada de que jamais participei, desde os tempos da Alternativa Socialista.

Mas não bastava o ocorrido ter sido revoltante. Não, senhores. Se a situação já não fosse precaríssima, a Reitoria faz questão de piorar, soltando a pérola que entitula este artigo.

Tááá... Situação propícia? Porque? Porque a vítima é do sexo feminino? Porque estava andando por uma trilha cheia de mato no meio do campus? Porque estava de shortinho?

Então tá. Como se estupro fosse uma coisa super natural e frequente em condições naturais de temperatura e pressão.

Francamente, um comentário infeliz desses em pleno século XXI me faz sentir profunda vergonha em pertencer à raça humana. Em ser da mesma espécie dessa racinha feia que encabeça o corpo docente da minha, da sua, da nossa faculdade.

Suspeito que o Exmo. Sr. Naomar não deve ter filhas. Caso contrário, se comoveria com a situação, em vez de passar a responsabilidade pela falta de segurança nos campi pra cima dos alunos.

E o noticiário ainda anuncia que foi uma tentativa de estupro. Me pergunto quanto nosso honestíssimo reitor desembolsou pra imprensa abafar o caso.


Desculpem, sei que este post foge totalmente ao espírito cretino do blog. Mas é que tem coisas que, simplesmente, ninguém merece.

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Almocei e peguei o ônibus para ir ao cartório. Como sou míope de pai e mãe (bom... míope de pai, astigmata -quê?- de mãe, mas enfim), e estou a uns bons 6 anos sem usar óculos direito, pego o ônibus pela cor e pelo pouco que consigo distinguir das letrinhas na frente.

Fui descobrir que não era o certo quando ele virou pra pegar a Paralela, uns bons 2km antes do ponto em que eu desceria. Como estava com o dinheiro contado (a propósito, não precisei rodar a bolsinha), decidi saltar ali mesmo e ir andando.

Solaço de meio-dia na testa, eu de salto alto. Cheguei ao cartório dolorida, com os pés inchados e os braços tão vermelhos que quase falei para a atendente "mim Arielle, mim querer procuração pro cacique da tribo". Resisti ao impulso e pedi, normalmente, uma senha para procuração. A moça me encaminhou direto pro cubículo do escrevente.

"Ótimo", pensei. Não precisaria ficar duas horas e meia esperando para ser atendida, e talvez eu conseguisse sair dali a tempo de mandar a bendita pro Rio por sedex e ela chegar ainda amanhã.

- Moça, vocês fazem procuração de hasta pública?
- Fazemos sim. Pra isso você precisa de uma senha especial, mas as senhas de hoje acabaram. Só amanhã, agora. Tenta vir de manhã pra conseguir uma.

Engoli com dificuldade a vontade de chamar a escrevente, a mulher que tinha me atendido de manhã e, na verdade, todo o sistema judicial brasileiro de filhos de uma puta arrombada.

Expliquei cuidadosamente a urgência da situação, dando um vislumbre geral do problema (eu preciso disso pra semana passada!), e pedi com carinho que ela me indicasse um cartório menos concorrido, onde eu talvez conseguisse fazer ainda hoje a porcaria do treco.

- Talvez até tenha senha em algum cartório, mas... você sabe que esse tipo de procuração leva 15 dias pra ficar pronta, né?

COMO ASSIM?! Da última vez em que eu fiz uma procuração dessas, em Recife, levou pouco menos de 40 minutos, e isso porque eu fiquei discutindo com o tabelião sobre alguns dos termos utilizados.

- Só tem um cartório em Salvador que entrega esse tipo de documento no mesmo dia...

Ótimo! Dá logo o endereço do lugar, moça! Não enrola!

-...que fica na Baixa do Sapateiro, e é bom chegar lá umas 8h da manhã pra conseguir pegar a senha.

Moro em Itapuã. Para quem não está muito familiarizado com a geografia de Salvador, basta dizer que é literalmente do outro lado da cidade.

O que quer dizer que amanhã é dia de acordar 6h da manhã. Ô fase.

Pelo menos, com alguma sorte, amanhã mesmo acaba essa novela.

***

Estou chocada, passada e em 47 tons de bege.

Um amigo nosso veio nos visitar hoje. Depois de irmos ao mercado, ele estacionou o carro aqui na frente de casa, ligou o alarme e nós entramos pra comer. Ficamos na sala, de forma que, se o alarme disparasse, ouviríamos. A violência aqui nas vizinhanças está absurdamente em alta.

Comemos até não mais aguentar, e depois ele foi embora. Na hora em que ele estava saindo com o carro, foi ligar o rádio e... cadê?

Ou esse nosso amigo não sabe lidar direito com o alarme do próprio carro, ou o ilustre cidadão que levou embora o rádio do carro dele tem as manhas de desarmar alarme.

Terceiro roubo de rádio de carro de alguém próximo que ocorre literalmente na porta aqui de casa. Da outra vez roubaram o do nosso carro e o do carro de Amy, no mesmo dia, durante o feriadão do dia das crianças. A diferença é que nenhum dos dois tinha alarme na época, e os imbecis ainda tiveram as manhas de quebrar o vidro do nosso carro. Graças a isso nossos vizinhos perceberam que tinha algo de errado e vieram nos avisar.

E é assim que a máquina pública funciona: se dão ao trabalho de criar toda uma burocracia pra atrapalhar os cidadãos na hora de resolver seus problemas, mas, pra botar polícia na rua e defender o que os cidadãos suaram pra conseguir, não dá, né?

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sexta-feira, fevereiro 24, 2006

It's on fire wow!


É, esse carnaval tá pegando fogo mesmo. Ontem foi no Parque da Cidade, e agora aqui, no terreno baldio do lado da minha casa. Foto batida daqui da varanda, inclusive. E os bombeiros, cadê?

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domingo, janeiro 16, 2005

Ônibus, preconceito e coisa e tal

Então, já que falamos em chocolates, me lembrei de uma coisa...

Mentira. Tudo mentira. Eu não lembrei de nada relativo a chocolates. Mas é que meu pc deu pau assim que eu terminei de escrever o post, e eu fiquei tão puta da vida por ter que reescrever tudo que perdi o início do fio da meada. Mas enfim.

Anteontem eu fui de ônibus a Olinda. Terrível experiência, que temo ter que repetir algumas vezes, talvez até diariamente, daqui pra frente.

Assim que subi no ônibus, notei alguns olhares enviezados para a minha pessoa. Olhares meio enojados, meio de estranheza.

Discretamente dei uma cafungada debaixo do meu braço. Não, meu desodorante não estava vencido.

Quando vagou um banco, sentei e puxei o espelho para ver se não tinha uma catota pendurada no meu nariz. Não, não tinha.

Analisei minha roupa e minha aparência. Impecáveis, como cabe a uma dark patricinha indo resolver assuntos de ordem profissional e/ou burocrática. Então, o que diabos havia de errado?

Aí é que eu me dei ao trabalho de analisar as pessoas no ônibus, minha atividade predileta nesses momentos de ócio forçado. E me dei conta de que eu era provavelmente a única pessoa em todo o ônibus cuja quantidade de melanina na pele não me permitia sair de casa sem passar um filtro solar fator dragão vermelho. Então era isso? Eu estava sofrendo preconceito étnico por ser quase translúcida?!

Ora diabos. Os afro-descendentes lá do sudeste reclamam o tempo todo de serem minoria, serem chamados de preto, neguinho, tição e etc. Estão indo pelo caminho errado!

Deveriam todos vir para o nordeste. Aqui eles são maioria, e nós, pobres caucasianos, somos chamados de galegos e somos discriminados ao subir em um ônibus intermunicipal. Ou então o sudeste podia exportar branquelos para cá, para igualar as coisas.

Mas o que estou dizendo?! De acordo com meu novo amiguinho de RST, Iago, que por sua vez baseou-se em argumentos lógicos e plausíveis, de autores conceituados e etc, uma sociedade igualitária é, por definição, utópica. Estou apenas a filosofar sobre como seria bom se tudo fosse equilibrado.

E se os amigos afro-brasileiros também fossem menos frescos. Então a gente pode ser chamado de branco, branquelo e cara-pálida, tendo que levar isso na boa, enquanto eles não podem ser chamados de preto, neguinho, pretinho e tição? É negro? Então que nos chamem de alvos! Peraí... Não, alvo fica esquisito. De qualquer forma, negro também é uma cor. A diferença é nula. Eu não vejo preconceito aí. Se alguém vir esse raio de preconceito nisso, por favor, me explique. Eu quero entender.

Eu já tô de saco cheio de ser chamada de racista pelos afro-descendentes do sudeste e de sofrer preconceito étnico pelos afro-descendentes do nordeste. Isso tem que mudar, e eu já sei por onde começar a mudança.

Nunca mais vou pegar ônibus.

Ah, vai. Kombi até é mais barato.

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